Marketing Digital 10/01/2012

10 passos para o ajudar a criar um negócio próprio

Luciano Larrossa Publicado por Luciano Larrossa

Ter uma ideia de negócio inovadora é, com certeza, um dos primeiros passos para você conseguir abrir uma empresa ou começar o seu trabalho de freelancer. Esse momento de inspiração pode ser transformador, mas está longe de ser o suficiente para gerir um negócio. Depois de ideia é necessário um grande número de passos, que acabam por tornar o início de um negócio algo muito mais complexo do que a maioria das pessoas imagina. Fazer uma análise SWOT, verificar os concorrentes ou ver a receptividade do mercado são apenas alguns dos cuidados entre muitos outros.

Mas o que faz tantas pessoas, principalmente no mundo online, falharem quando tentam criar o seu próprio negócio? A meu ver, o fato de não existir qualquer investimento na criação de um blogue, por exemplo, faz com que as pessoas desistam desse seu objetivo à mínima dificuldade. Tal como explicou o Paulo Faustino no artigo sobre Quanto tempo demora um blog a tornar-se rentável, 65% dos blogueiros desistem dos seus projetos ao fim de três meses, o que representa bem a alta taxa de desistência num curto espaço de tempo.

criar negócio próprio

1. O empreendedor

O fato de muitas pessoas desistirem ao início da criação de um próprio negócio, faz com que se chegue a uma conclusão bastantes simples: nem todas as pessoas têm perfil para se tornarem empresários. Podem ter bastante vontade de terem mais rendimentos ou de controlarem o seu próprio horário, mas esse querer pode não ser suficiente. É preciso ter vontade de vencer e saber dizer não a muitas coisas no seu dia-a-dia, tal como explica o Miguel Gonçalves. Portanto, a disciplina pessoal deve ser o primeiro fator que deve analisar quando pensa em abrir a sua empresa. Fica aqui um conjunto de questões que deve tentar responder antes de arriscar abrir a sua própria empresa:

  • Consegue deitar-se e levantar a horas “normais” mesmo que alguém não o obrigue a isso?
  • É capaz de gerir o seu tempo de modo eficaz?
  • É produtivo?
  • Tem capacidade para estar sempre a aprender e a adaptar-se ao mercado?
  • É capaz e liderar pelo exemplo ou nos momentos difíceis é o primeiro a perder a motivação?
  • Exige o máximo de si todos os dias ou é inconstante?
  • Tem por norma, investir na qualidade do seu trabalho ou é daqueles que não gosta de gastar dinheiro no seu negócio?

Como pode ver pelas perguntas acima, um empresário não é uma pessoa qualquer, mas sim alguém com características um pouco diferente da maioria das pessoas. Não é por acaso que há mais empregados do que patrões. Quem der uma olhada pela biografia do Steve Jobs (aconselho vivamente), verá que a vontade de aprender, o fator risco e o espírito combativo sempre estiveram presentas na vida deste gênio.

A importância da motivação

Como referi anteriormente, um empresário necessita de ter várias características, mas existe uma que deve estar sempre presente: a motivação. Por mais talentoso que seja o investidor, sem este fator as probabilidades de ser uma pessoa de sucesso ficam claramente diminuídas. Por vezes, empresários menos talentosos conseguem triunfar apenas devido à sua vontade de vencer e ao acreditar na sua ideia. A primeira motivação que deve estar presente é a vontade de mudança face à sua situação atual. Muitas pessoas reclamam que querem mudar, que não estão satisfeitas no emprego ou que não fazem aquilo que amam. Mas a verdade é que quando chega o momento de provarem o contrário, pondo a sua ideia em prática, acabam por falhar por falta de atitude. Falar por falar é fácil, o problema é quando não existe motivação para passar das palavras aos atos.

Por todos estes motivos, antes de pensar sequer em por a sua ideia de negócio em prática, é importante fazer uma avaliação pessoal e tentar perceber se está preparado para este passo.

2. Desenvolver a ideia

Quando se pensa em abrir uma empresa ou startup é porque, à partida, já existe uma ideia de negócio. Mas isso nem sempre acontece. Por vezes, existe apenas a vontade mas a certeza concreta do que se quer não surge. Vejamos que opções podem acontecer:

  • Ausência completa de ideia: Sabe que quer mudar mas não sabe o que faz. Nestes casos, analise bem a sua situação, pois mudar por mudar pode muitas vezes ser prejudicial. Lembre-se do que referi acima: a motivação é essencial. E sem ideia, dificilmente a motivação acaba por surgir
  • Trabalhar com ideias alheias: Se não tem ideias, tente olhar em volta e pensar em algo que se possa adequar à sua área. Por exemplo, um artigo de um jornal pode dar uma excelente ideia para o início da criação de um blog por exemplo. O franchising também pode ser outra ideia para quem quer começar algo seu
  • Transformar a profissão em empresa: Você está satisfeito com que está fazendo mas quer algo criar seu? Considere começar o próprio negócio mas continuando o que está fazendo.

Contudo, existem situações em que você pensa em começar o negócio e já tem uma ideia na cabeça. E esse é a melhor situação de todas. Fica com uma visão mais clara daquilo que pretende, facilitando o desenvolvimento do projeto.

Existe ou não no mercado?

Esta é a única pergunta que deve fazer à sua ideia. Se ela já existe, tente destacá-las de outras empresas que já estejam no mercado. Acrescente valor ou dê-lhe um pormenor diferente. Fazer mais do mesmo aumenta as suas probabilidades de fracassar. Afinal de contas, as outras startups já estão no mercado há mais tempo e essa vantagem é enorme.

Se o produto ou serviço que quer criar já existe no mercado, necessita de tentar perceber porquê ainda não existe. Será útil? Resolve algum problema? Normalmente, as ideias de maior sucesso são aquelas que resolvem um problema pessoal do empresário. A Técnica de Pomodoro, resolveu uma dificuldade do seu criador. O Twitter resultou de um problema interno que a empresa tinha. Adaptar a uma dificuldade sua ajuda-o a perceber melhor as futuras necessidades dos clientes. Agora, é verificar se essa sua dificuldade pode ser comercializada ou não.

3. É rentável?

“Uma empresa que não seja rentável, não é uma empresa. É um hobbie”. Esta frase representa bem o pensamento que deve ter quando cria um negócio. Por mais útil que ele possa ser à sociedade, é necessário tentar perceber até que ponto você pode ganhar dinheiro com isso. O Twitter, por exemplo, ainda não se pode considerar um negócio lucrativo, visto que o seu dinheiro provêm maioritariamente de investidores. No entanto, existe a possibilidade de ele vir a trazer o retorno investido pelos empresários. É importante encontrar este equilíbrio. Se não rende agora, pode vir a ser lucrativo no futuro? Ou será que não existe a mínima possibilidade de isso acontecer?

Outro dos pontos que deve ter em atenção é se esse seu produto pode ter interesses secundários. O melhor exemplo disso são os jornais. Grande parte das publicações não é lucrativa, mas ajuda a que sejam atingidos outros objetivos, quer seja sociais, pessoais ou políticos. Por isso, existem empresários dispostos a perder fortunas mensalmente, mas que acabam por ter os benefícios em outras áreas.

4. Como conseguir financiamento?

Existem ideias que podem arrancar com um orçamento mais curto, como os blogs. Contudo, existem projetos que exigem um esforço financeiro maior, quer seja pelos custos do produto ou de colaboradores. Para colmatar essa dificuldades inicial, existem algumas possibilidades:

  • Financiamento bancário: Não é muito positivo começar uma empresa sabendo que todos os meses tem que pagar ao banco. O negócio pode ter algumas dificuldades em conseguir clientes e com isso colocá-lo numa situação complicada. Se tiver que pedir dinheiro emprestado, tente fazê-lo com alguma antecipação, de modo a poder negociar mais facilmente com a instituição
  • Capital de risco: Esta opção tem como objetivo fugir à opção bancária. O capital de risco tem como meta principal a participação temporária ou minoritária no capital da empresa, de modo a apoiar o investimento inicial.
  • Business Angels: São grupos constituídos, maioritariamente, por antigos empresários, que querem investir algum dinheiro na empresa porque acreditam no projeto. Mais tarde, acabam por se retirar da empresa conseguindo ganhando dinheiro com a sua valorização
  • Ajuda do Estado: Tanto em Portugal como no Brasil, existem iniciativas do Estado para ajudar financeiramente as pequenas empresas. O único ponto negativo é que o projeto irá, sempre, concorrer com um grande número de candidatos, dificultando a sua aceitação

5. Primeiros passos

Depois de saber quanto irá gastar ou se está preparado para o negócio, é importante definir bem quais vão ser os seus primeiros passos. Como vai conseguir clientes ou como irá sobreviver caso não consiga o volume inicial de negócio que pretendia, são questões que devem estar na sua cabeça meses antes de abrir as portas para receber os interessados. Esta atitude não lhe dá garantias de que tudo vá acontecer do modo como espera, mas ajuda-o a diminuir a probabilidade de ser surpreendido. Ficam aqui alguns pontos para analisar com cuidado:

  • Gestão de colaboradores. Quantos vai precisar ou se alguns podem ser contratados em regime de freelancing
  • Em que instalações vai trabalhar
  • Se será capaz de realizar todas as tarefas (tesouraria, marketing, etc) ou se precisará da ajuda de terceiros
  • Pode começar em casa ou necessita mesmo de um escritório
  • Daqui a quanto tempo quer lançar um produto novo
  • Quais são os parceiros que o podem ajudar a alavancar o negócio
  • Dentro de quantos meses ou anos pretende ter todas as despesas pagas e começar a gerar maior lucro
  • O que mudou desde o início do projeto até esta fase

criar próprio negócio

6. Função social

Não é obrigatório que um negócio tenha uma função social, mas as grandes empresas têm sempre essa preocupação. Isto porque um negócio não deve, por norma, ter apenas o objetivo de gerar dinheiro, mas também de ajudar o meio que o envolve. Esta é uma forma de você agradecer ao mundo que o rodeia o fato de estar a ter sucesso. Além disso, pode também funcionar como uma forma interessante de fazer publicidade e passar uma imagem positiva aos seus clientes. Descubra o valor social que a sua empresa pode ter e tire proveito disso.

7. Defina o preço

Definir o preço de um modo correto para o seu produto ou serviço é uma das formas de você diminuir as suas chances de fracassar. É claro que nos podemos basear na concorrência, mas isso dificilmente nos trará uma imagem clara daquilo que o nosso trabalho deve valer. O que aconselho a fazer é que utilize o Mark Up. Esta técnica não é mais do que saber o seu faturamento médio mensal, juntar todas as suas despesas possíveis e calcular consoante o seu preço de hora. Imaginemos que lhe mandam construir um site:

Primeiro, necessita de ter uma ideia do faturamento mensal do seu negócio de freelancer.

Suponhamos que esse valor é de 4 mil reais e que cobra 10 reais por hora limpos (ou seja, o que acumula para si, fora despesas)

Suponhamos que você iria demorar um mês inteiro a fazê-lo e as suas despesas todas representam 2400 reais, o que daria em percentagem cerca de 60% do seu faturamento mensal. Então faríamos:

100/ (100 – 60)= 100/40= 2,5

Preço de hora real = 10 x 2,5 = 25 reais à hora

Ou seja, 25 reais é o preço cobrado à hora pelo seu serviço ao cliente, de modo a que consiga cobrir todas as despesas e conseguir ficar com um valor residual para si. Naquele caso, o salário do freelancer seria de 1600 reais mensais enquanto 2400 ficavam reservado para despesas de negócio, comunicação e deslocações. O leitor poderá me perguntar: Não seria muito mais fácil cobrar um preço à hora e ter apenas uma pequeno noção das despesas? Poderia fazê-lo, mas essa não seria uma maneira eficiente de manter os seus custos controlados e saber quanto necessidade de controlar para manter o seu negócio fora de dívidas.

Ter esta base, também é uma excelente ajuda para que quando fizer promoções não perca em muito a sua margem de lucro. Imagine que o freelancer no exemplo de cima quer fazer um pequeno desconto de natal. Pode retirar um pouco da sua parte ou então nesse mês decidir que não fará uma poupança para investimentos, por exemplo. Tudo dependerá da sua imaginação, bastando para isso ter o preço controlado.

8. Faça uma análise SWOT

Para ter uma visão mais clara daquilo que pode ser o seu negócio, aconselho que faça uma análise SWOT. Esta palavra é uma sigla inglesa, junção das palavras Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats). Com esta análise você terá uma noção clara das suas limitações, dos seus pontos fortes e como deve lidar com a sua concorrência. Quando se tem um negócio é importante saber o que tem para oferecer aos seus clientes, de modo a evidenciar o que tem de melhor, mas também para saber os seus pontos fracos, para poder tentar disfarça-los. Para perceber um pouco mais, aconselho que dê uma leitura no nosso artigo sobre a análise SWOT para o seu negócio.

9. Tenha um plano de marketing consistente

Se há coisa que não pode faltar num projeto, é um plano de marketing. Por mais insignificante que ele seja ou que o investimento seja reduzido, as pessoas necessitam de saber que você existe. Uma simples campanha no Facebook ou no Adwords já pode ajudar. Basta ter este pensamento: “Se você não investe, porque os seus clientes deveriam investir em você?”. Mesmo que você tenha um blog, é necessário dá-lo a conhecer. Mais tarde, não adiante reclamar que o tempo que você investiu foi em vão!

10. O que pretende para o futuro do seu negócio?

Sei que ainda está no começo, mas é importante onde você quer estar nos próximos anos. Ter essas metas na cabeça podem condicionar a sua forma de pensar hoje. Imagine que pretende ser o melhor vendedor de pipocas no Brasil. Será que fazer um simples serviço vai ser suficiente? Que valor terá de acrescentar ao mercado? Até nos negócios mais simples, os pormenores contam.

Todos estes passos são preponderantes para você criar o seu próprio negócio. Como viu, existe um grande número de cuidados que você deve ter. Não é necessário seguirem todos esta ordem, mas garante que todos os pontos analisados devem fazer parte da sua preparação. E eles devem ser feitos casos você seja um blogueiro, freelancer ou dono de uma startup. Todo o cuidado é pouco quando o assunto é investir o nosso tempo e os nossos sonhos.

Novo usuário?

Comece aqui

e-book “SEJA MAIS PRODUTIVO”

Baixe o ebook “Pensamentos sobre marketing digital”

Preencha os seus dados abaixo e receba esse e outros materiais por e-mail.

BAIXE GRÁTIS O EBOOK "CHECKLIST PARA FACEBOOK"
Os primeiros passos com sua página no Facebook.

Checklist para facebook
close-link