Marketing Digital 06/10/2011

Grant Achatz: a história de quem sobreviveu ao cancro porque acreditava no próprio negócio

Luciano Larrossa Publicado por Luciano Larrossa

Ler histórias de quem conseguiu superar as dificuldades da vida e conseguiu triunfar no mundos dos negócios é um dos hábitos que uso para me manter motivado no trabalho. Já falei aqui de várias histórias, entre as quais a de empresas que começaram os seus negócios numa garagem ou de freelancers que tiveram sucesso antes dos 18 anos. Ver o que outros fizeram para que achemos possível de lá chegar é um excelente princípio, pois facilita a derrubar aquela barreira que é muitas vezes criada ao ver pessoas de sucesso. São vistos como seres superiores, como na verdade passam por problemas e vitórias como todos nós.

A história que lhe trago hoje veio nesta edição da revista portuguesa Sábado e conte-nos o percurso de Grant Achatz, um apaixonado por aquilo que fazia e que viu no seu amor ao trabalho uma forma de sobreviver ao cancro. Não quero que com este artigo tenha pena “apenas” porque ele esteve doente (apesar de isso já ser motivo suficiente), mas sim porque ele sempre acreditou naquilo que fazia e viu nisso um objetivo de vida e uma forma de contornar todas as dificuldades. Segue abaixo a reportagem!

A história de Grant Achatz

“Quando sentiu a dor, descobriu um pequeno ponto branco, de um milímetro, no lado esquerdo da língua. A dentista achou que não era nada, que devia andar a morder a língua por causa do estresse. É verdade que Grant Achatz andava estressado. Trabalhava 90 horas por semana, comia mal e bebia 10 Coca-colas diet por dia. Mas tinha sido considerado o melhor Chef em ascensão dos Estados Unidos e, aos 30 anos, estava a planear abrir o seu primeiro restaurante, em Chicago. No seu livro ‘Life, on the Line’ , conta que até ficou feliz por o filho ter nascido num dia em que o restaurante estava fechado. Nos meses seguintes, quando a ferida na boca o incomodava, punha uma chiclete entre a língua e os dentes, para não tocar lá.

O Alinea abriu no ano seguinte, em 2005, com um menu de degustação de 18 pratos. As invenções da cozinha molecular já incluíam chupa-chupas de azeite, pedaços de bacon pendurados em arcos de aço, mousse de batata-doce agarrada a um pau de canela aceso e pratos servidos em almofadas que libertam o cheiro a lavanda. Cada refeição demora cerca de quatro horas e custa 400 reais.

Durante três anos, vários médicos garantiram ao Chef que não tinha nenhum problema, mas as dores tornaram-se tão fortes que só conseguiu beber líquidos. Em 2007, uma biopsia revelou um cancro em estágio 4, o mais avançado. Disseram-lhe que tinha de cortar a língua ou morreria em seis meses. Mas Achatz nunca foi de desistir. Em 1995, quando saiu da escola culinária, enviou uma carta por dia para o famoso Chef Thomas Keller, do restaurante French Laundry, com três estrelas Michelin. Só descansou quando foi contratado.

Grant Achatz

Desta vez, as notícias eram piores. Mesmo que fosse operado, só lhe davam 50% de hipóteses de viver mais de três anos. Recusou a cirurgia. Desde os 8 anos que não fazia outra coisa a não ser provar e memorizar sabores. Aos 12 anos começou a trabalhar no restaurante dos pais, um local que servia cafés da manhã e estava aberto 24 horas. Preferia morrer a perder a capacidade de saborear.

Pediu uma segunda, terceira e quarta opiniões. Foram todas a favor da cirurgia. Finalmente, encontrou um tratamento experimental na Universidade de Chicago que lhe salvaria a língua. As cicatrizes que tem, dos lóbulos das orelhas até quase às clavículas, mostram de onde os médicos retiraram os nódulos linfáticos do pescoço. Ficou sem cabelo por causa das 12 semanas de quimioterapia. A pele caiu-lhe da cara e do interior da boca após seis semanas de radiação. O paladar desapareceu. O prazer de comer também. Mas continuou trabalhando todos os dias. Durante um ano, usou quatro subchefs para provarem a comida por ele. Funcionou: em 2008 foi considerado o melhor chef norte-americano. As reservas no Alinea, feitas através de cinco linhas telefônicas, esgotam em horas. A espera é de dois meses.

Achatz também teve de esperar seis meses até ao cancro entre em remissão. Nesse período, preparou a abertura de um novo restaurante, o Next. O cozinheiro confessou à revista que o sócio teve de o convencer a criarem um sistema único de marcações. Não há reservas. São vendidos bilhetes no site do restaurante, a 150 reais, para um determinado dia e menu. A procura é tão grande que há bilhetes à venda no site Craiglist por 5 mil reais.

Outra boa notícia chegou de repente, há dois anos: sentiu o doce do açúcar que pusera no café para ganhar peso. “Perdi mais 20 quilos e precisava de calorias”, disse. Meses depois o café pareceu-lhe muito amargo. E foi assim que o paladar começou, lentamente, a regressar. Os sabores voltaram, um de cada vez: a seguir o salgado e por fim o ácido. Livre de cancro, não se preocupa se as críticas ao seu livro não forem unânimes. É que o Aline teve, este ano, três estrelas Michelin.”

Conclusão

Como pôde ver, Grant Achatz criou um objetivo e nunca o largou: queria ser o melhor chef. Os obstáculos à sua frente não foram suficiente para consegui desviá-lo dessa meta. No seu trabalho de freelancer, não digo que tenha de enfrentar uma doença pois isso depende da capacidade de cada um, mas sim que as desculpas como a falta de dinheiro ou medo de fracassar não sirvam mais de desculpa para você ir atrás do seu sonho no mundo dos negócios.

Para complementar esta leitura, recomendo-lhe também que leia o artigo que o colega Paulo Faustino publicou na Escola Dinheiro com as 10 lições mais importantes de Steve Jobs sobre Empreendedorismo.

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