Marketing Digital 16/09/2013

O guia completo para trabalhar como Ghost Writer

Luciano Larrossa Publicado por Luciano Larrossa

Atualmente no mercado da escrita freelancer existem dois tipos de trabalhos: o de redator freela que assina os seus textos e a do redator que atua como GhostWriter. Para quem não sabe o que é o trabalho do GhostWriter, deixo logo abaixo a descrição da própria Wikipédia:

“É como se chama à pessoa que, tendo escrito uma obra ou texto, não recebe os créditos de autoria – ficando estes com aquele que o contrata ou compra o trabalho”

Num mundo em que a promoção da própria marca é cada vez mais uma arma, muitos são os clientes que pedem aos freelancers para não assinarem os seus textos. Este é, por norma, um pedido muito controverso, visto que muitos freelas necessitam de ver o seu trabalho reconhecido de forma a conseguirem novos clientes. E isso levanta uma grande questão: será o GhostWriting benéfico para o freelancer? É sobre isso mesmo que vamos falar ao longo deste artigo.

ACEITAR OU NÃO O PEDIDO DE GHOSTWRITING?

Normalmente o cliente contrata os serviços do Ghostwriter por falta de tempo, paciência ou mesmo por falta de capacidade para escrever textos ou livros. Por essas razões, a escrita de artigos/livros como escritor fantasma estão normalmente relacionadas a clientes com elevadas capacidades financeiras.

Uma pesquisa realizada para revista Writer’s Digest revelou que, por norma, os Ghoswriters recebem boas quantias para escreverem livros. 20 mil dólares para livros de 60 mil palavras, 15 mil dólares para 40 mil palavras ou 25 mil para 80 mil palavras são valores muito comuns no mercado norte-americano.

Mas neste momento o leitor deve estar pensando: mas se tiver de escrever um livro, porque não escrevo o meu próprio livro? A verdade é que grande parte do trabalho de escrita de um livro acontece antes e depois da escrita desse mesmo livro. Tal como comprovei com a escrita do Ser Freelancer e do Facebook para Negócios, existe um trabalho que é realizado meses antes (objetivo do livro, definição dos temas, etc) e outro trabalho que é realizado no final (escolha da capa, edição, promoção, etc).

Isso acaba por ser uma vantagem muito grande para o GhostWriter, que “apenas” tem de preocupar-se com a escrita do livro, deixando o restante trabalho para o cliente. Mas desengane-se quem pensa que o trabalho de pesquisa é realizado unicamente pelo GhostWriter. Por norma, o cliente fornece a informação, quer seja através de uma entrevista, material de apoio, etc. Já quando o assunto são artigos em blogs o material pode vir a ser procurado pelo freelancer.

COMO SER BEM SUCEDIDO

Depois de explicado que o trabalho de GhostWriter pode ser (bastante) rentável, chegou o momento de partilhar algumas formas de como ser bem sucedido nesta profissão. Em primeiro lugar o freela necessita de interiorizar que, apesar de ser ele a escrever o texto ou o livro, o trabalho será sempre do seu cliente. E por isso o trabalho deve, acima de tudo, refletir a opinião do cliente. É ele quem tem a palavra final sobre determinados assuntos.

Para ser bem sucedido o GhostWriter necessita de deixar de lado o seu ego. Por norma o freela já necessita de saber aceitar a opinião do cliente, mas essa capacidade tem de estar ainda mais evidenciada no GhostWriter

Outro ponto-chave para ser bem sucedido nesta área é saber transmitir a voz do cliente. Se ele for uma pessoa mais energética, o texto deve refletir isso. Se por outro lado ele for uma pessoa mais calma e mais técnica, o texto ou livro também devem saber explorar essa questão.

Um dos pormenores mais difíceis no trabalho de GhostWriter é a pesquisa. O freela terá sempre de realizar um trabalho extra para adquirir conhecimentos sobre o cliente ou a sua área de trabalho. Se escrever um livro/texto sobre algo que você conhece já é algo difícil, essa tarefa estará ainda mais dificultada se o tema for desconhecido.

Ghost Writing

DICAS PARA CONSEGUIR TRABALHO

É raro um freelancer que comece a trabalhar como GhostWriter sem antes escrever os seus próprios livros ou escrever artigos para blogs. Em grande parte dos casos o GhostWriter consegue os primeiros trabalhos através de blogs. Sites como o Freelancer.com ou o Elance são fulcrais para conseguir os seus primeiros projetos. Além disso, construir um blog ou um portfólio é também essencial, pois existem clientes que só aceitam trabalhos de freelas que tenham alguma demonstração da sua escrita.

A segunda forma (e aquela mais efetiva) de conseguir ser chamado para o trabalho de GhostWriter é fazendo propostas proativas. Este tipo de estratégia funciona muito melhor para a escrita de livros, por exemplo. A melhor forma de fazer isso é procurar por empresários com maior poder financeiro e que tenham necessidade de investir na publicação do próprio livro. Se quiser saber mais dicas de como conseguir os seus primeiros clientes, o melhor mesmo é ler este artigo onde falamos sobre como conseguir o primeiro cliente enquanto freela.

“Kelly James-Enger, uma dos maiores especialistas quando o assunto é Ghost Writing, explicou num artigo que ‘é necessário que o freelancer defina uma área de especialização’. No caso dela, o fitness e a saúde são áreas onde normalmente ela tem alguma facilidade em conseguir novos projetos, visto que já tem vários livros publicados sobre o tema”

No entanto, muitas vezes também é necessário deixar o mercado decidir qual é a sua área de especialização. Ao início pode ser uma boa estratégia deixar que os projetos realizados com os clientes definam aquilo que você vai escrever.

Imagine-mos que você pretende especializar-se sobre reviews de jogos. No entanto, começam a aparecer propostas para escrever livros sobre empreendedorismo. Desde que seja uma área em que você se sente confortável e que goste, não existe qualquer problema em sair do seu objetivo inicial.

DEIXE TUDO BEM DEFINIDO ANTES DE INICIAR UM PROJETO

O fato do freela não poder escrever com o seu nome levanta vários problemas, sendo que o principal é que ele estará transmitindo a opinião de outra pessoa de uma forma indireta. Uma informação errada ou pouco estudada pode trazer inúmeros problemas ao cliente. Para evitar esse tipo de situações, uma boa conversa antes de iniciar o projeto é algo bastante aconselhável. Procure saber:

  • Que materiais de apoio você terá.
  • Como você entrará em contato com o cliente e qual o melhor horário para falar com ele.
  • Se o projeto vai ser escrito 100% por você – no caso de um livro – ou se uma parte será escrita pelo cliente.
  • De quanto em quanto tempo você terá de enviar amostras do seu trabalho.

Todo esse trabalho também ajudará a definir o preço final do seu projeto. Um cliente que partilhe toda a informação com você certamente sairá mais barato do que um cliente que obrigue você a fazer entrevistas (não só a ele mas também a outras pessoas).

Para aprofundar os seus conhecimentos sobre este tema, leia o nosso artigo sobre como definir os preços de serviços de freelancer

Além disso, você também necessita de saber quanto e como cobrar. Por norma, existem três opções:

  • Pelo projeto completo
  • Por palavra
  • Por página

Para termos ideias dos valores, vamos dar uma olhada novamente ao estudo feito pela revista Writer’s Digest:

“A pesquisa descobriu que os valores variam entre 10 mil e 50 mil dólares para livros que tenham entre 50 a 70 mil palavras. Esta tabela foi aplicada para livros de ficção e não ficção”

Se estivermos falando de um projeto de um livro, o mais aconselhável é mesmo que o freela faça um contrato, visto que são valores muito elevados. No contrato deve ficar bem explícito o que cada um vai fazer, os prazos que vão ser realizados os pagamentos ou quem ficará com os direitos autoriais do livro, sendo que na maior parte dos casos os direitos ficam entregues ao cliente. Além disso, também é necessário deixar bem claro se você está trabalhando como GhostWriter ou como co-autor.

Dica: Deixe bem claro o que vai acontecer no caso de um dos dois abandonar o projeto em qualquer momento. Não se esqueça de preservar os seus direitos!

COMO COMEÇAR

Visto que existem aqui duas possibilidades diferentes para GhostWriter (escrita de livro ou de artigos), vamos explicar de forma sucinta como devem começar ambas as situações.

Escrevendo um livro

O seu primeiro passo será realizar um pequeno resumo do livro, descrevendo o objetivo, indicando os capítulos e quanto tempo deverá demorar cada passo. Deixe bem claro que isto é apenas um esboço e que pequenas mudanças podem decorrer ao longo do processo. Como você está “entrando na cabeça de alguém”, é essencial que durante as primeiras semanas vocês estejam constantemente em contato. Deixe também isso claro para o cliente.

Dica: Use o Track Changes do Microsoft Word para saber o que o seu cliente modificou nos textos que você enviar.

Além disso, tente perceber a “voz” do cliente. Existem frases que ele utiliza constantemente? Ele fala frases mais curtas ou mais complexas? Se ele fornecer algum tipo de material escrito utilize isso como um guia.

Escrevendo textos

A escrita de texto é bem mais simples que a escrita de um livro, visto que muitos deles são sobre temas específicos e por isso a “voz” do cliente não é tão determinante. Em primeiro lugar você necessita de esclarecer com ele como serão entregues os textos. Se você faz diretamente no site ou se envia num documento word.

Logo em seguida, defina bem com ele a formatação dos artigos, de forma a dar o menos trabalho possível ao cliente. Outro pormenor importante é o acompanhamento constante, tal como acontece com a escrita de livros.

Dica: Problemas prejudicam a relação entre o profissional autônomo e o cliente. Tente ser rigoroso com esse pormenor! Para saber mais sobre esse tema dê uma olhada neste post.

Depois de ter os textos escritos, tente ter o feedback do cliente. É necessário que você consiga entender o mais rápido possível aquilo que ele pretende.

Para saber mais dicas sobre como escrever bons artigos, pondere ler alguns destes textos:

escritor fantasma

VANTAGENS E DESVANTAGENS DE SER UM GHOSTWRITER

 Tal como acontece em todas as vertentes do freelancing, existem vantagens e desvantagens a trabalhar como GhostWriter. Vejamos, em primeiro lugar, algumas das vantagens:

  • Bons valores: Como conseguimos verificar ao longo do artigo, o GhostWriting é um trabalho bem pago, tendo em conta que envolve projetos maiores. Mesmo se estivermos falando na escrita de artigos, o freela tem sempre a possibilidade de cobrar um pouco mais trabalhando como GhostWriter visto que o seu nome não irá aparecer no artigo.
  • Projetos alargados: Com alguns meses de trabalho garantido o GhostWriter não necessita de partir sempre à procura de clientes, como acontece com um redator normal, por exemplo.
  • Boca a boca funciona: Como a concorrência e a visibilidade dos GhostWriters é reduzida, o boca a boca costuma ser a forma mais eficaz de fazer publicidade. Isso evita que necessitem de investir muito tempo fazendo marketing pessoal.

Porém, nem tudo são vantagens…

  •  Crédito quase zero: O nome é quase tudo no mercado atual e o GhostWriter tem essa enorme desvantagem contra si. A sua única solução passa muitas vezes por pedir autorização ao cliente para puder incluir os textos/livros no seu portfólio.
  • Demasiada adaptação: Se existe algo que motiva a escrita de textos é, sem dúvida, a possibilidade de puder dar a sua opinião ou expor o seu ponto de vista sobre um determinado tema. No Ghost Writing isso já não acontece, visto que o freela necessita sempre de tentar ser o mais parecido possível com o cliente.
  • Pouco ético: Existe quem considere o Ghost Writing pouco ético. Afinal de contas, estamos “enganado” o leitor ao afirmarmos que o texto é de “A” quando na verdade foi escrito por “B”.

CONCLUSÃO

O mercado do Ghost Writing tem tudo para crescer nos próximos anos. Por um lado, os empresários têm cada vez menos tempo e necessitam de quem escreva os seus textos/livros. Por outro, a comunicação escrita cresce efusivamente na internet. Eu acredito que existam inúmeras oportunidades de mercado para esta área de negócio. Porém, o Ghost Writing só deve ser utilizado por quem tem perfil para trabalhar sem ver o seu esforço reconhecido, pelo menos de uma forma mais direta.

E você,

  • Qual a sua opinião sobre o Ghost Writing?
  • Já trabalhou desta forma?

Abraço,

Luciano Larrossa

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