Produtividade 08/04/2014

Não consegue concentrar-se numa tarefa de cada vez? Estes estudos explicam o porquê

Luciano Larrossa Publicado por Luciano Larrossa

Enquanto seres humanos, é naturalmente difícil concentrarmo-nos numa tarefa de cada vez.

Temos sempre a tendência para perdermos o foco. Este hábito foi algo que ajudou na nossa evolução enquanto espécie. Há milhões de anos, estar atento a tudo o que nos rodeava ajudou-nos a sobreviver. Permitiu que fugíssemos de predadores, que conseguíssemos garantir alimentos, entre outros fatores..

Hoje em dia, esse mesmo instinto de sobrevivência está a ser explorado pelas mais variadas empresas, que através de campanhas publicitárias ou de designs apelativos, tentam “roubar” aquilo que é mais valioso para elas: a nossa atenção.

Alimentação, TV, Pornografia e internet

No nosso dia-a-dia, existem inúmeros fatores que demonstram claramente como os instintos controlam as nossas decisões. O exemplo mais comum são as comidas Fast Food e adição exagerada de açúcar em praticamente todos os alimentos. Este artigo do Pedro Correia Training (um blog que recomendo) explica muito bem como o açúcar tem modificado a nossa alimentação e como ele é viciante, fazendo com que nós, enquanto seres humanos, pensemos de forma intuitiva ao invés de tomarmos decisões de forma racional.

Outro dos maiores vícios atuais é a televisão. Telenovelas ou programas de domingo à tarde elevam o nosso instinto de sobrevivência, criando a sensação de que a realidade que está na TV é a nossa realidade, mesmo que essa sensação seja uma ilusão e algo temporário. Para saber mais sobre o tema, este artigo do Psychology Today pode dar uma boa ajuda.

Outra das distrações mais comuns é a pornografia..

Enquanto seres humanos, necessitamos de recompensas sexuais e a pornografia tem utilizado essa necessidade de forma bastante inteligente. Contudo, muitos estudos (tal como este) revelam que este hábito está a fazer com que as pessoas utilizem estes sites ao invés de procurarem parceiros para satisfazerem os seus “instintos” naturais.

Por último, temos a internet. Constantemente somos interrompidos por notificações ou banners a piscar, que tentam a todo o custo interromper o foco e a nossa atenção. Não vou alongar-me muito nesta parte porque o vídeo em baixo explica muito bem tudo aquilo que acontece ao nosso cérebro enquanto navegamos na internet:

E o pior é que a tendência de cedermos aos estímulos exteriores parece aumentar cada vez mais. Neste infográfico, temos um estudo realizado pela Rasmussen que demonstra o crescimento do consumo de mídia ao longo dos últimos anos.

Devemos focar-nos numa tarefa de cada vez?

Todos os pontos explicados acima, serviram para alertar que esta necessidade de prestar atenção a tudo que o rodeia é algo natural e que é necessário aprender a lidar com esses fatores. Enquanto seres humanos, crescemos dessa forma e ainda bem que somos assim, caso contrário não teríamos sobrevivido enquanto espécie.

Porém…

O marketing tem aproveitado para tirar melhor partido desse nosso instinto, o que muitas vezes é sinônimo de retirar a nossa atenção daquilo que é realmente importante para as nossas vidas e empurrando a nossa atenção para distrações constantes.

Isso acontece porque essas estratégias exercitam mais o nosso Sistema Automático do cérebro e deixam de lado o Sistema Reflexivo. O nosso Sistema Automático é involuntário e toma decisões rápidas. É através dele que decidimos quando mudar de canal, atender uma chamada no celular ou verificar o nosso Facebook. Já o Sistema Reflexivo toma decisões mais ponderadas, tais como escolher que comida comprar no supermercado, a compra de um livro, entre outros.

A imagem abaixo representa muito bem cada um dos sistemas:

 Foco numa tarefa de cada vez

O grande problema é que tudo aquilo que está à nossa volta faz-nos pensar com o Sistema Automático e deixa de lado o nosso Sistema Reflexivo. É por isso que é muito fácil perdermos a nossa atenção com as mídias sociais, com o smartphone ou com a televisão.

O que acontece ao nosso cérebro

No artigo onde falei sobre o hábito das oito horas por dia de trabalho e o porquê que você deve modificá-lo, expliquei um pouco como funciona a falta de foco e os prejuízos que isso traz para os nossos cérebros. A imagem que está abaixo resume bem tudo aquilo que acontece ao seu cérebro:

formas de concentração do cérebro

Na imagem A, o cérebro está focado em apenas uma tarefa e consegue facilmente separar aquilo que são as distrações (azul) daquilo que é mais importante (amarelo). Já na imagem B isso não acontece, com as multitarefas a tornaram demasiado confusa a informação, misturando aquilo que é importante com aquilo que não interessa. Dessa forma, esforço do cérebro fica distribuído e a energia investida em cada uma das tarefas também estará distribuída. Ok, mas toda esta informação parece óbvia. Mas será que você está sempre focado em uma tarefa de cada vez? Ou será que tem constantemente o email e o Facebook ligados enquanto trabalha?

Então: como fazer para focar-me numa coisa de cada vez?

O meu primeiro conselho para conseguir concentrar-se numa coisa de cada vez é diminuir a grande quantidade de coisas que tem ao seu redor.

O marketing faz-nos pensar que precisamos de inúmeros objetos e ferramentas para sermos felizes e bem sucedidos, quando na verdade o real segredo para a nossa satisfação pessoal está na simplicidade. Não digo que você tenha de viver como um monge, bem longo disso. O que quero transmitir é que muitas vezes acabamos por confundir felicidade com aquisição de objetos, quando na verdade as duas coisas são bastante dispares.

O primeiro passo para livrar-se do que é pouco relevante passa por eliminar tudo aquilo que está em excesso na sua vida. Isso inclui:

  • Objetos que estão na sua casa ou no seu ambiente de trabalho e que não são utilizados (este texto pode ajudar nessas tarefas)
  • Arquivos no seu computador que só criam desorganização e confundem a sua produtividade
  • Contas de email ou de redes sociais que só geram notificações e novas mensagens
  • Emails que jamais vão ser lidos e que estão constantemente na sua caixa de emails
  • Roupas que você jamais vai utilizar e que ocupam espaço no seu armário

E por aí vai. No fundo, é pensar em tudo o que está em excesso e que retira a concentração daquilo que é realmente importante no seu dia-a-dia.

O meu segundo conselho está relacionado com a organização do dia-a-dia. Ainda há pouco tempo, partilhei com os leitores aqui do blog vários aplicativos para aumentar a produtividade e uma dessas apps era o Todoist, um aplicativo que ajuda nas gestão das minhas tarefas. Manter uma lista de tarefas é um dos segredos para manter o foco, visto que com uma lista de tarefas é muito mais fácil mantermo-nos concentrados nas nossas obrigações.

Banner menor

O terceiro conselho está relacionado com as distrações online. Quando estiver realmente a trabalhar, feche o seu email, desligue as redes sociais e foque-se apenas naquilo que é realmente o seu trabalho. Aprender a controlar o seu Sistema Automático é FUNDAMENTAL. Seguir os seus instintos é importante, mas se você for um freelancer ou um empreendedor, utilizar o lado racional ao invés de usar os seus instintos é fundamental em muitas ocasiões.

A última dica está relacionada com a sua capacidade de desligar-se deste mundo online. Ao final do dia, por exemplo, experimente desligar o celular e/ou o computador e vá fazer algo fora do mundo online. Por vezes é bom sentir que a vida até pode passar um pouco mais devagar, aproveitando tudo aquilo que é possível fazer sem uma ligação à internet ou sem televisão.

Conclusão

Antes de terminar este artigo, gostaria de deixar bem claro que não sou contra a Fast Food (quem nunca foi ao McDonald’s que atire a primeira pedra) nem contra a internet (caso contrário você não estaria a ler este texto). O que quis transmitir foi que é necessário existir um foco naquilo que é mais importante para as nossas vidas.

Lembre-se: o tempo é algo que jamais volta atrás.

Agora é vossa vez:

  • Como fazem para manterem o foco numa tarefa de cada vez?
  • Quais são as vossas maiores distrações?

Abraço,

Luciano Larrossa

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