Produtividade 25/10/2012

Como trabalhar com amigos e familiares sem estragar o relacionamento pessoal

Luciano Larrossa Publicado por Luciano Larrossa

Quando o leitor pensa numa ideia de negócio inovadora ou num projeto para uma empresa, certamente as primeiras pessoas que surgem na sua cabeça para começarem a trabalhar consigo são os seus familiares ou amigos. Eles, a princípio, são as pessoas em quem você mais confia e em que deposita as suas maiores esperanças. De fato, vemos casos de sucesso de empresas familiares, mas será que é assim tão simples trabalhar com quem está mais próximo? Digo-lhe de antemão que, ao trabalhar com amigos e parentes, tem todos os requisitos para que mais cedo ou mais tarde os problemas comecem.

Uma coisa é confiar em alguém e outra, muito diferente, é trabalhar com essa pessoa. Eu, por exemplo, confiaria a minha vida a pessoas com as quais a última coisa com quem faria seria trabalhar. Uma coisa é trabalhar com alguém e, mais tarde, desenvolver uma amizade. Outra bem diferente, é ser amigo de alguém e depois trabalharem juntos. A última situação é muito mais difícil, principalmente devido às expectativas que colocamos nessa pessoa e vice-versa. Quando trabalhamos com pessoas mais próximas temos tendência a pensar que tudo vai decorrer sem problemas, de forma natural, tal como acontece com a amizade. Por isso, criar regras e gerir expectativas torna-se essencial.

Como sei que, mais tarde ou mais cedo, o freelancer acaba por estabelecer um tipo de colaboração com amigos ou familiares, no artigo de hoje vou explicar como pode minimizar as chances de surgirem problemas graves. “Prevenir é melhor do que remediar” e este ditado aplica-se a este gênero de situações.

OS PRIMEIROS PASSOS PARA TRABALHAR COM AMIGOS

A melhor maneira de evitar alguns problemas é, desde o início, definir um acordo com essa pessoa. Este contrato deve ser o mais claro possível, contendo todos os pormenores. O melhor momento para fazê-lo é mesmo antes da relação profissional começar. Fazer acordos com clientes é essencial, mas é ainda mais preponderante que se trata de alguém mais próximo, visto que os limites do relacionamento podem ser ultrapassados com maior facilidade. O problema aqui é a confusão de papéis que as duas pessoas podem fazer. Enquanto amigo, você espera que a outra pessoa faça tudo por você, que esteja a qualquer momento pronto para ajudá-lo. Mas a nível profissional é normal que isso não aconteça. E é este desequilíbrio entre expectativa/ação que leva a grande parte dos conflitos.

Experimente dizer a uma amigo seu para para ajudá-lo com um problema no seu carro às duas da manhã. Certamente a resposta dele será positiva e mesmo que ele não vá, você certamente irá compreender. Agora, se vocês têm um negócio juntos e pede para que ele trabalhe até às duas da manhã, ele certamente não vai achar muita graça e poderá ter uma atitude que você não concorde. Estas duas situações diferentes, apesar de parecerem ser semelhantes, geram expectativas/ações diferentes de parte a parte.

E por falar em acordo, se for por escrito é ainda melhor. O “diz que disse”, sem haver provas de que isso mesmo aconteceu, geralmente gera duas versões diferentes, o que é mais do que suficiente para dar origem a uma discussão. Isto não significa que você desconfie da outra pessoa, mas você apenas pretende o melhor dos dois (e do negócio também). Faça um contrato ou envie um email com os pontos principais. Desta forma, pode verificar se todos compreenderam aquilo que foi falado, sendo também uma excelente forma de ambas as partes recordarem o que foi dito. É normal descer um pouco a sua exigência quando trabalha com outra pessoa, mas não caia nesse erro.

O QUE DEVE SER DEFINIDO?

No acordo com a outra pessoa devem ser escritos todos os pormenores que sejam necessários para que tudo se desenvolva conforme o previsto. Aconselho vivamente que aborde aqueles pontos que considerar mesmo com menor importância, porque são esses que geralmente acabam por criar problemas. Devem abordar questões como:

  • Quem faz o quê na empresa.
  • Quais vão ser os prazos de entrega.
  • Quantas horas cada um deve trabalhar por dia.
  • Quem fala com os clientes.
  • Que meios vão ser utilizados.
  • Em que consiste o trabalho.
  • Quanto vai receber cada um.
  • Quando vão receber os pagamentos.

Estas são as questões mais simples mas depois existem outras que são, por norma, aquelas que mais dificultam a vida a longo prazo. A primeira de todas é qual a percentagem da empresa que será entregue a cada um, caso tenham criado um negócio juntos obviamente. Por  norma, esse valor é de 50/50, mas isso poderá variar, principalmente se um tiver investido mais do que o outro ou se algum dos dois tiver feito um investimento inicial mais elevado. Outro ponto delicado que é importante definir é o que acontecerá caso deixem de trabalhar juntos. Ficam algumas questões que também podem e devem ser levantadas:

  • Com quanto tempo de antecedência deve avisar?
  • O que acontecerá aos trabalhos que estão em andamento?
  • De quem será o cliente a partir daí?
  • O que acontecerá a possíveis projetos que estejam próximos a começar?

O diálogo é importante e sem eles algumas organizações acabam por morrer. Em alguns momentos, alguém tem que decidir, mas se essa decisão já estiver definida por escrito, melhor ainda. Uma das maiores fontes de conflito do ser humano está em não definir bem no início do relacionamento ou à medida que este progride, os limites e as expectativas de cada um. Quando iniciamos uma relação, temos sempre tendência a esperar algo mais da outra pessoa. Mas se dissermos de antemão ao outro que expectativas são essas, ficará muito mais claro para ambas as partes. É que definir estes acordos não é apenas importante para evitar problemas, mas também para encontrar soluções antes que eles mesmo aconteçam.

Dica: Como criar um plano de negócios para a sua empresa

DEBATA OS LIMITES

Depois de pensar nas tarefas de cada, chegou o momento de pensar nos mínimos que devem ser feitos por ambos. Não debata apenas os máximos que espera do seu parceiro/familiar, mas defina também as expectativas mínimas. Deixe já escrito, por exemplo, o que espera que ele faça. Que seja pontual, que se dedique ao máximo ou que esteja sempre dedicado às suas tarefas. Estes são os limites mínimos para que a vossa relação funcione. Estes pormenores também são de muita importância.

RELAÇÃO DE PAI PARA FILHO

Não gosto de arriscar em percentuais, mas acredito que mais de 50% dos negócios hoje em dia acabam por ter, pelo menos, dois membros da família inseridos. Isto acontece, em grande parte, porque o pai acredita que será benéfico para o seu filho fazê-lo ingressar na empresa e ensinar tudo aquilo que ele aprendeu. Mas isso nem sempre é assim tão linear. Ainda há pouco tempo li uma estatística que indicava que 30% dos negócios são transmitidos para um segunda geração familiar e que quase metade acaba por nem sequer chegar a uma terceira geração.

Então, como fazer com que o negócio perdure e que o bom relacionamento familiar possa continuar? Em primeiro lugar, é necessário evitar que se criem postos de trabalho apenas para satisfazer desejos familiares, pois isso poderá ser “um tiro no pé” a longo prazo. As empresas (e os negócios de freelancers) têm de viver num mundo real, onde devem ser contratados profissionais para locais que a marca realmente precise.

Dica: 101 passos para ter sucesso no seu negócio de freelancer

Depois, é necessário perceber que o familiar poderá nem sequer entrar no negócio por não gostar do trabalho realizado pela empresa. Eu, por exemplo, desde muito novo recebi convites por parte do meu pai para trabalhar na empresa com ele. Mas é uma área que não gosto. Apesar de ser bastante rentável, desde cedo deixei definido com o meu pai que não era esse o meu futuro e que não seria a melhor pessoa para acompanhá-lo na empresa. Com isso, defini desde cedo o meu futuro e o da empresa do meu pai. Mas para isso foi preciso deixar as regras bem claras desde o início.

TRABALHANDO EM CASA COM FAMILIARES

Este ponto é essencial para os freelancers. Quando falo em trabalhar, não me refiro ao fato de trabalhar juntamente com eles num negócio mas sim de trabalhar no mesmo espaço em que outras pessoas utilizam para outros fins. Certamente o leitor já sentiu que, apesar de estar trabalhando, os seus familiares sentem-se à vontade para convidá-lo para dar um passeio ou assistir a uma série na televisão. Isso é muita prejudicial, principalmente para a sua produtividade e foco no trabalho. Por isso, desde o início, explique para eles que, apesar de estar em casa, está em horário de trabalho e que isso deve ser levado em conta. Diga para eles que irá trabalhar do horário “X” ao horário “Y” e que durante esse período não deve ser interrompido. Caso mesmo assim você continue a ter problemas, o melhor é encontrar um ambiente de trabalho possa ser estar livre das interrupções.

CONCLUSÃO

Pense bem antes de trabalhar com amigos e familiares, se quer mesmo fazê-lo ou se dispõe de outras opções. No caso de decidir avançar, defina de forma clara e concreta, os termos da relação. Se não o fizer, mais parte poderá sentir algum receio de dizer certas coisas à pessoa próxima. Mas esse receio, mais tarde ou mais cedo, acabará pode tornar-se num problema mais grave. As dicas e conselhos que dei acima não são a solução final para este gênero de situações, mas certamente são uma excelente forma de evitar que muitas dificuldades surjam. No entanto, cabe sempre a si encontrar soluções mais criativas quando eles surgirem no seu caminho. Se tiver alguma questão sobre este tema, sinta-se livre de deixar um comentário ou enviar um email.

Até já!

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